ARGUMENTO

Novo Argumento


16.12.2020




Número 167
Dezembro 2020

Índice de artigos
DOSSIER FUTUROS DO CINEMA
Nada Roucos Anos 20: conversas com 7 realizadores com menos de 35 anos. Ensaio Ver, voltar a ver, ouvir, voltar a ouvir de Ana Eliseu
DONZELA GUERREIRA
Novo filme de Marta Pessoa na retina de Anabela Moutinho
HITLER TERCEIRO MUNDO
O underground tropical de José Agrippino de Paula no subsolo de Manuel Pereira
TOMMI MUSTURI
O herói da BD finlandês em destaque, a convite de Edgar Pêra
E AINDA
Bilhete-postal de Elena Pasetti (entre Bréscia e Viseu); Livros do Trimestre com destaque para o centenário de Federico Fellini

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OBSERVATÓRIO
Mais uma janela para o Observatório.
A outra dimensão da conversa com Tommi Musturi no teaser da curta-metragem de Edgar Pêra...





EDITORIAL
Pode parecer paradoxal uma associação como o Cine Clube, que, entre as suas facetas formais, também é juvenil, fazer sessenta e cinco anos — no dia 16 deste mês. Mas com certeza que esse sangue novo, esse desassossego, essa pressa do que ainda há-de vir contribuíram em grande medida para chegarmos até aqui, sobretudo para chegarmos até aqui nesta forma de quem fez um pacto com o Diabo. Mas nem com o Diabo nem com o Lord Henry Wotton: what you see is what you get.

E se não conseguimos assinalar de todas as maneiras que gostaríamos este sexagésimo quinto ano de existência, tão insólito e recolhido, tão-pouco menosprezamos a evidência viçosa de termos resistido, de portas abertas, salas (meias) cheias e vingados de cada vez que se apagaram as luzes para se acender aquela que, em pirâmide crescente, atravessa a lente e mostra a poeira por cima das nossas cabeças. Afinal foi para isso que nos juntámos e se juntaram tantos outros antes de nós, em especial aqueles que se juntaram primeiro, em 1955, e cuja memória aqui actualizamos. Este aniversário, talvez frugal, é como quando nos pedem para escolher o que levar para uma ilha deserta, um encontro com o nosso âmago.

Uma palavra para os nossos sócios que não têm podido continuar a acompanhar as sessões durante estes longos meses: temo-vos presentes, sentimos a vossa falta e estamos a pensar em maneiras de chegar o mais perto possível.

Porque esta idade é pouca. Queremos chegar ao iPhone 3000, como diz o Jorge Jácome (nas páginas dos Nada Roucos Anos 20), e ao 6D, queremos que o Sr. Liz seja lembrado por homens que estão para nascer, e, sobretudo, queremos que continue a haver em Viseu um lugar para o cinema e para quem o ama e por ele se sabe deixar enganar.

E por isso deitámos os olhos para o futuro, neste número, do trabalho com as crianças (no Bilhete-Postal de Elena Pasetti e no ensaio de Ana Eliseu), semente imprescindível, à série Future de Tommi Musturi, discutida com o autor pelo nosso anfitrião convidado, Edgar Pêra. Por isso e porque acreditamos que ter algo com que sonhar, por que ansiar é fundamental para seguir, e é levar a sério o que fazemos, é comprometer-nos para além dos limites de qualquer contrato, e é a nossa única arma contra o utilitarismo, o nosso único consolo perante a altivez dos vencedores do mercantilismo.

É nosso o monopólio da matéria-prima onírica.



ARQUIVO
Na edição 166 falámos com Dartagnan Zavalla!


 


O Cine Clube de Viseu oferece a todos a oportunidade de experienciar, descobrir e aprender mais sobre o mundo do cinema, audiovisual e cultura visual.
︎ Segunda a sexta, das 9h30 às 13h00 
︎ Rua Escura 62, Apartado 2102, 3500-130 Viseu
︎ (+351) 232 432 760 
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