ARGUMENTO

Novo Argumento


30.03.2021




Número 168
Março 2021

Índice de artigos
DE PAPOILA A ELVIRA: A CRIADA NO CINEMA PORTUGUÊS
Rita Palma arranca a rapariga de avental do fundo e trá-la para primeiro plano
ARKIVOS CINECOMIX
A degustação suculenta da conversa de Edgar Pêra com Ed Brubaker
O PROTAGONISTA PERDIDO
Motivações filosóficas para a destruição, por Filipe Varela
LE COCHON E VASE DE NOCES
O ciclo inteiro da vida, entre homens e porcos, no Subsolo de Manuel Pereira
CRÍTICA À CRÍTICA DE CINEMA EM PORTUGAL
O último ensaio do Dossier “Futuros do Cinema”, por Cátia Cardoso
ROBERT ALTMAN
O Jogador, com música de Thomas Newman, no Observatório de Jeff Chistensen
E AINDA
Bilhete-postal do Cineclube da Universidade de Dhaka (Bangladesh); Livros do Trimestre.

ASSINAR O ARGUMENTO
É dos nossos leitores e associados do CINE CLUBE que dependemos.
Ajude-nos a defender a autonomia do projecto, tornando-se assinante.
Ou propondo a assinatura a um amigo.

Descubra como.



EDITORIAL
Para aqueles de nós que se habituaram a viver nos filmes, talvez até inconscientemente, aqueles para quem a vida se foi transformando num prolongamento deles, uma decepcionante comparação com eles, um intervalo para pensar neles, para os pôr à prova, para antecipar o próximo — nem que seja porque, como descreve o Woody Allen na sua maravilhosa autobiografia, o ar-condicionado da sala de cinema é a única maneira de suportar a vida nos infernais meses de Verão do Brooklyn —, este tempo pode estar a supor um confronto difícil com coisas a que nos temos poupado, como: o excessivo conforto do nosso sofá, a ausência de desconhecidos, todos os barulhos que as paredes das nossas casas deixam passar — pássaros a cantar —, escassez de fugas, actos consequentes, sonhos só no sono, a vida, a vida, a vida. Um choque.

E o Argumento quer vir agora como aqueles cheiros que às vezes no supermercado nos levam para Shangri-La. São convites espontâneos à rememoração, inadvertidas experiências virtuais: de repente, uma goiaba madura e estamos cheios de calor, ali ao lado dos congelados. Ou uma metadona. Não sendo a expressão mais autêntica, aproxima-se o suficiente para nos apaziguar.

Nas páginas deste número encontrarão profusas referências a filmes que têm in pirado os nossos colaboradores, desde os exemplos em que assenta a tese do Filipe Varela aos tesouros de agora e outrora apontados pelo Jeff Christensen, e isto é o que há a fazer com eles — além de vê-los e revê-los —: espalhar as suas raízes e entrelaçá-las com as nossas (não percam o relato do Jeff sobre inundações e ciprestes, na página 22). Este Observatório, aliás, teve o seu quê de emaranhado: esperámos quase dois meses pela pintura, que veio por correio e demorou mais de metade do tempo a sair dos Estados Unidos, o que valeu comentários enternecedores, como “Well, that moron Trump destroyed our postal system... I can’t believe his moron appointee is still in office” ou “An amazing example of the commitment of the right wing to societal infrastructure. I’ll bet there’s an infrastructure in hell constructed just for them”. São notas dos dias, e, por falar nisso, o Cine Clube acaba de lançar nova convocatória, desta vez em parceria com a Transit, para artigos e vídeo-ensaios sobre pós-verdade, bolhas e o cinema no meio disso; espreitem a página 5 e o nosso site.

Da convocatória anterior, publicamos neste número o último ensaio, uma reflexão acerca do estado da crítica de cinema em Portugal, pela Cátia Cardoso.

O novo normal desta edição é o Mínimo Múltiplo Comum, da Rita Palma, que será a partir de agora, com muito gosto nosso, uma presença assídua, marcada pelo olhar atento e inquiridor sobre recantos do nosso cinema, coisas do dia-a-dia que se repetem, e ainda assim não vemos.

Há, porém, uma falta inevitavelmente muito sentida nas páginas deste Argumento, a do Manuel S. Fonseca, esse habitante dos filmes veterano e incondicional, que tantas vezes nos tem presenteado com o seu olhar íntimo e versado, e a que tanto nos apraz poder chamar amigo. Para ele, a lutar noutras frentes de momento, um agradecimento e um abraço — fiquem à espera da sua próxima Retina!



ARQUIVO
A outra dimensão da conversa com Tommi Musturi (edição 167)...


Na edição 166 falámos com
Dartagnan Zavalla!

 


O Cine Clube de Viseu oferece a todos a oportunidade de experienciar, descobrir e aprender mais sobre o mundo do cinema, audiovisual e cultura visual.
︎ Segunda a sexta, das 9h30 às 13h00 
︎ Rua Escura 62, Apartado 2102, 3500-130 Viseu
︎ (+351) 232 432 760 
︎ geral@cineclubeviseu.pt